A eliminatória mais difícil de todas

Em entrevista coletiva nesta segunda-feira (27), Dunga, o comandante da Seleção Brasileira declarou que esta será a “classificação (para Copa) mais difícil de todas”. O que me fez parar para refletir “os porquês” de esta ser a mais difícil eliminatória de todas. Para Dunga, torcedores, jogadores e os especialistas.

O Brasil visita o Paraguai nesta terça-feira (29), às 21h45, no Defensores Del Chaco e caso não vença, pode terminar fora do grupo das equipes que se classificariam para a Copa do Mundo da Rússia em 2018. E pior, na próxima partida das eliminatórias, que acontecerá apenas em setembro, o confronto será contra o Equador, atual líder e único invicto na competição.

Lembrando que o Paraguai foi o algoz de Dunga na Copa América do ano passado e nos últimos três confrontos entre as equipes, foram três empates.

E agora, vamos aos “motivos” desta ser a eliminatória mais difícil de todas, professor Dunga.

1º – NEYMARDEPENDÊNCIA. A seleção depende de apenas um jogador, fato que não ocorreu em nenhum momento da história do país. Já depende de Neymar há alguns anos, mas como não precisou disputar a última eliminatória, pelo fato do Brasil ser o país sede, aparentemente este “problema” não ficou tão evidente antes.

2º – DUNGA É O TREINADOR. Nada contra o trabalho do comandante, que em números, por sinal, segue bom. Mas seguimos a premissa de que na seleção, as pessoas querem ver espetáculo (ou pelo menos uma boa apresentação, se não for pedir muito), pois são os melhores jogadores de seu país que estão ali representando. O resultado sempre é bom, mas infelizmente já se mostrou um problema em 2010 e 2014.  *Claro, sabemos que há pouco tempo para se treinar, mas não venham com a velha história de que a geração é ruim, pois sabemos que não é, teoricamente se pode atuar melhor do que vem jogando!

3º – OS ADVERSÁRIOS. Acho que tudo que nós, brasileiros, sempre esperávamos dos adversários sul-americanos finalmente aconteceu, tirando a Bolívia, é claro. As seleções melhoraram técnica e taticamente (ou o Brasil não evoluiu junto com o futebol moderno). Hoje, Colômbia, Uruguai, Equador e Chile são mais estruturados e “tem mais cara de time” que o Brasil. No 11 x 11. Nome por nome, o Brasil ainda pode levar vantagem, mas o conjunto não é melhor, pode ser até considerado parelho.

4º – GERAÇÃO COMPROMETIDA. Não vou entrar no mérito de que antigamente era melhor, pois se usavam chuteiras pretas, não tinha selfie, whatsapp e cabelos mirabolantes. Mas parte desta geração (que muitos criticam por coisas banais como estas), não só por conta do 7 a 1, ficou comprometida. Não digo que se deve descartar os nomes, mas infelizmente há atletas que não podem mais vestir a camisa da seleção, ou pelo menos mereciam “férias forçadas”. Para dar nomes aos bois, demos o exemplo de David Luiz. Um zagueiro bom. Boa técnica, mas que ficou conhecido mais por suas idas ao ataque do que pelo primor defensivo. Não fez boa Copa do Mundo (e não, não esqueci que ele fez um gol de falta, mas ele é ZAGUEIRO), era criticado ainda no Chelsea, falhou em alguns jogos decisivos no PSG e na seleção fez uma das piores atuações defensivas de todos os tempos contra o Uruguai. É um jogador ruim? Não. Mas o desgaste que se dá com a continuidade de peças que não ajudam mais é impressionante. Sem falar de que há o descarte em alguns casos por falhas ainda menores, como foi o caso do goleiro Jefferson, do Botafogo.

ESQUEMA TÁTICO. Não sou um Cruyff (e que fique a homenagem a este gênio do futebol que nos deixou na última semana), Guardiola ou um Telê Santana da vida. Não sou um conhecedor profundo de tática, mas não há como negar que o 4-2-3-1 que a seleção se utiliza não pode mais continuar. Seja pelo fato do Brasil não ter um centroavante que desperte tanta a atenção (considerando que Dunga não testou ainda Jonas, artilheiro da Europa neste ano na função) ou pelo fato de Neymar jogar por ali em alguns momentos como um “falso qualquer coisa”. Ou ainda pelo time não atuar com um meia por dentro que faça a distribuição das jogadas. O “chinês” Renato Augusto não é esse nome. Será Coutinho? Será Lucas Lima? Será Rafinha, do Barça e da Seleção Olímpica? Será Felipe Anderson? Não sei, mas são nomes que precisam ser testados. Acredito que Douglas Costa e Willam se tornaram as outras certezas juntamente com Neymar, e têm desempenhado bem o seu papel. Outro ponto a ser batido é a utilização de dois volantes como Fernandinho e Luiz Gustavo, sendo que, sem dúvidas, não há a necessidade, se você propor o jogo, é claro. O que poderia abrir espaço para mais um meia que possa trabalhar junto com o “armador” do time. Ou até um volante que tenha melhor qualidade de passe.

QUEM COMANDA. Depois de tudo que “falei” neste post, paro e reflito. Dunga é o maior culpado? Claro que não. Quem contrata Dunga (não satisfeito com 2010, de novo após o 7 a 1) não quer revolução, e acho que não esperava nada muito diferente depois de alguns meses de trabalho. Quer mudança? Trabalhe por ela. E não foi isso que aconteceu no Brasil. Acho que ainda é difícil de entender que dá pra ganhar sem jogar bem, mas é bem mais difícil do que sendo melhor que seu adversário.

 Foto: Rafael Ribeiro/ CBF