O melhor Flamengo de 2015

Antes que você que está lendo este texto, já comece a me xingar e chamar de louco, leia mais que o título.

Sim, está foi (pelo menos para mim) a melhor partida do Flamengo em 2015. E digo mais, provavelmente a melhor desde a vitória sobre o Botafogo em 2013, em partida válida pela volta das quartas de final da Copa da Brasil daquele ano. No dia 23 de outubro de 2013, o Rubro-negro simplesmente não tomou conhecimento do Alvinegro, que era tido por muitos como um time  superior (e de fato nominalmente e pela fase, era). Naquele dia, brilhou a estrela de Brocador (que marcou três vezes), André Santos e Paulinho (que infernizaram a zaga do Bota).

Outra grande partida, porém em um estilo diferente, foi a vitória por 3 a 0, no ano passado, contra o “virtual campeão” até então e favoritíssimo ao título, Cruzeiro.

Buscando sair da famosa “zona da confusão”, batizada por Luxemburgo, o Flamengo ganhou do clube mineiro contanto com gol  contra de Dedé, e erros da zaga cruzeirense, mas o time se portou bem e fez um grande jogo, levando-se em conta o adversário e o momento das equipes. Claro que marcou os gols nos erros e contra-ataques, mas não se pode tirar o mérito da equipe.

Mas vamos ao título do texto, e certamente a resposta para a pergunta “por que numa partida em que o Flamengo perde de 4 a 2, você me diz que foi o melhor jogo do time no ano?”. Simples a resposta: O Flamengo jogou futebol. Nada mais que isso. Simples demais? Então vamos a mais justificativas.

Primeiramente, não sou um fã do Cristóvão, e sim, um crítico ao seu trabalho, que a meu ver, não pode ser considerado bom em nenhum clube em que passou. E caso alguém use o Vasco como exemplo, vamos lembrar que ele pegou um time pronto e estava presente no dia a dia da equipe, junto é claro, com Ricardo Gomes. Além do fator emocional, que provavelmente fez aquele time se doar e correr muito mais após o problema com o técnico que sofreu mais um Acidente Vascular Cerebral (AVC).  Mas ontem, foi visível a melhora do time em suas mãos, e ele mexeu bem no intervalo. Apesar disso, por algum motivo, ele mais uma vez não fez as três alterações que são permitidas em um jogo de futebol. Provavelmente achando que acumule para a próxima partida. No momento em que o Flamengo perdia por 4 a 2, uma tentativa de mudança poderia fazer com que o time mais uma vez “retornasse” ao jogo, mas nada foi feito.

Certo, feitas as ressaltavas, vamos aos números. O Flamengo teve mais posse de bola do que o Palmeiras. 62,8% contra 37,2%. Sim, posse de bola não ganha jogo. Então vamos ao quesito finalização. Fora oito certas do Rubro-negro e quatro do Alviverde. Erradas, 13 do Fla, contra 8 do clube paulista. O Flamengo também cruzou mais, foram 31 (sendo 19 corretos) a 16. O clube carioca ainda acertou 423 passes e errou 24. Enquanto o paulista acertou 184 e errou 37. Além disso, o Palmeiras cometeu mais faltas, e bateu menos escanteios.

Claro, no quesito estatístico que mais vale, o número de bolas que estufaram a rede, o Palmeiras superou o Flamengo por dois gols. Mas ver o Flamengo propondo o jogo, dominando as ações, trocando passes, tentando jogadas trabalhadas, com variações táticas, saindo jogando sem chutão e ligações diretas, foi surpreendente e animador.

Claro, a zaga ainda é um caos, é inegável. Um jogador de 1,90m não pode perder bolas áreas com tanta facilidade, assim como os laterais, que são mais baixos, não podem ficar perdidos em todas as jogadas que vem do alto. Mas ontem, pela primeira vez sobre o comando de Cristóvão Borges, enxerguei uma luz no fim do túnel.

Que o comandante melhorou a bagunça tática e técnica que era o time comandado por Luxa, era fato. Mas o “menos” pior de Cristóvão não é o bastante. Como um bom flamenguista, estou tentando enxergar o copo com a metade cheia, e não com a metade vazia. Geralmente no Rubro-negro é assim, 8 ou 80, então vamos ver onde isso vai dar, pode ser numa 10ª colocação no Brasileirão, contanto que seja jogando futebol e não “correriabol” ou “contra-ataque bol”, eu acredito que uma parte considerável da torcida estará satisfeita. Perder jogando e tentando, nunca deixará de ser melhor do que perder por covardia.

Foto: Gilvan de Souza/ Flamengo