“Pôfexores”: quando eles decidem?

Qual é o papel do treinador de futebol? Falar o que o jogador quer ouvir e não o substituir? Estudar tática, técnica e se aprofundar no esporte? Mudar de acordo com os gritos da arquibancada? Ou simplesmente entregar coletes e dar palestras motivacionais? Bem, realmente a vida de técnico no Brasil não anda nada fácil. Claro que, os comandantes têm ganho um alto salário, alguns astronômicos, mas muitos clubes têm adotado a política de investir em treinadores com vencimentos menores, provavelmente pensando na seguinte pergunta: “Quando é que eles decidem de verdade? ”.

Estive refletindo sobre a real função do técnico de futebol. Como leigo na arte de ensinar e parte tática e técnica, vou me ater ao que vejo nos estádios e treinos que acompanho. O comandante não é aquele que grita mais ou que sabe mais de futebol. Prova disto é que Dunga e Felipão fracassaram seguidamente com a seleção e Tite e Osorio, principalmente o segundo que ainda tem que se adaptar ao futebol brasileiro, têm passado por momentos de instabilidade e questionamentos apesar de toda o conhecimento no esporte.

O bom treinador é aquele que conhece bem as limitações do seu grupo, inventa pouco, mas ousa quando deve, estuda, mas motiva, escuta e também dá bronca, porém tem como principal característica: passar desapercebido. Bem, num mundo ideal existiria este profissional e provavelmente, nem Pep Guardiola, que segundo entrevistas de Daniel Alves ao programa Bola da Vez da ESPN Brasil queria treinar a seleção brasileira, seja assim a todo momento.

Todo o questionamento sobre o papel do técnico, que levou a supervalorização do posto e até o fato de alguns terem virado “astros” como José Mourinho, por exemplo, só tiram o foco do mais importante do futebol: os onze contra onze. O fardo que o jogador carrega hoje é leve, se comparado ao do técnico, que leva a culpa até se falta água, se bobearem. Cristóvão Borges e Osorio são exemplos claros ao meu ver. Ao atrasar salários e vender jogadores, o treinador estrangeiro que acabou de chegar é o culpado pelo time não ganhar todas as partidas do campeonato? Ele realmente não pode testar novas peças? Deve ceder a “ataques” e reclamações dos jogadores que são substituídos? Ao meu ver se sim, aí ele começa a decidir.

No caso de Cristóvão, apesar de concordar que ele mexeu mal na última partida e em grande parte dos jogos do Flamengo, a análise maior é a sobre a montagem do elenco. O time que é limitado realmente não merece lutar na parte de baixo? No lugar dele, se fosse outro treinador, o time estaria melhor? Não sei, acho difícil.

Da mesma forma que os comandantes não são gênios quando colocam um atacante no lugar de outro e o mesmo marca o gol da vitória. Não são idiotas se o jogador não corre e se dedica. Isto é 10% da ação. Quem chuta, quem marca, quem dá o bote é o atleta. O treinador não marca gol, não vai pra galera. Ele é um “mero” expectador e se pudesse mudar mil vezes cada vez que um atleta não cumprisse com uma de suas ordens, assim faria.

Portanto, sejam invisíveis “pôfexores”. São importantes, mas nem perto da importância do terceiro goleiro do time, que tem 1% de chance de entrar em campo. Estudem, escutem, façam o que tiver que ser feito, mas deixa o espetáculo com os onze, se não forem de qualidade, que sejam os onze mais aguerridos e disciplinados, aí sim você estará decidindo.