R.I.P futebol carioca

Não há como negar que eu ri, brinquei e participei da “zoeira” com o rebaixamento do Vasco. Admito, meu lado torcedor falou mais forte.

Mas logo na segunda-feira, sem nenhum trocadilho com o Cruzmaltino, me peguei “refletindo” sobre a situação do futebol carioca, que já foi considerado por muitos, o mais vistoso e charmoso do Brasil.

Bem, vamos aos fatos. Saldo da temporada 2015 para o Rio de Janeiro: Vasco da Gama rebaixado para a Série B, Macaé rebaixado para a Série C e Madureira rebaixado para a Série D. Sem contar as campanhas fracas de Flamengo e Fluminense na Série A (12º e 13º respectivamente na tabela de classificação) e de Volta Redonda e Resende na Série D (eliminados na fase de grupos).

Obs 1: Irão falar que o Botafogo fez uma boa campanha na Série B, mas sempre devemos ressaltar que é a segunda divisão nacional, e o fato do Vasco ter tido uma campanha fraca em 2014, quando o time ficou em terceiro, não reflete a disparidade entre os times grandes e pequenos, mesmo que estejam em dificuldades financeiras, como é o caso do Bota.

Podemos colocar nesta lista ainda as brigas envolvendo a dupla Fla-Flu com a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ), e consequentemente um Estadual 2016 ainda mais sem graça e esvaziado no ano que vem, e uma Copa Rio, falando agora dos times de menor expressão, com públicos baixíssimos e com diversos jogos em que os times saíram devendo só pelo simples fato de entrarem em campo (graças às taxas cobradas e despesas com os jogos).

Obs 2: Um dos exemplos sobre como competições estaduais estão cada dia mais falidas, como disse anteriormente, foi a Copa Rio. Separando um borderô da competição, o do jogo entre Volta Redonda e Portuguesa, semifinal do campeonato, jogo em que o Voltaço teve maior público (321 presentes), e uma receita de R$ 1.960, para se ter uma ideia de como é caro “entrar em campo”, o clube teve um total de despesas mais de R$ 5 mil, ou seja, saiu “devendo” mais de R$ 3 mil.

O rebaixamento do Vasco, o terceiro em oito anos, é apenas o reflexo do que representa o Estado do Rio de Janeiro no cenário atual do nosso futebol. Nos últimos três anos, três times cariocas foram rebaixados, e poderia ser ainda pior se não tivesse ocorrido o “chamado caso Héverton” e a punição à Portuguesa. Para aqueles que querem esquecer, em 2013 foi o Cruzmaltino, em 2014, o Alvinegro e em 2015, mais uma vez o Gigante da Colina.

ESQUECENDO O VASCO

Deixemos o Vasco um pouco de lado, esqueça Eurico Miranda, lado de Maracanã e “jogo a parte”. Vamos falar da dupla Fla-Flu na temporada (que também é para se esquecer). Flamengo e Fluminense tiveram mais derrotas no Brasileirão que o próprio Vasco. 19 para os dois contra 17 do Cruzmaltino. Só os dois últimos, Goiás e Joinville, perderam mais. Os dois times tiveram trocas de técnicos. No Fla, tivemos Luxemburgo, Cristóvão, Oswaldo e Jayme. No Flu, Cristóvão, Ricardo Drubsky, Enderson Moreira e Eduardo Baptista. O que só demonstra a falta de organização, entendimento do esporte e até mesmo do próprio clube.

PARA FINALIZAR…

Não sou muito adepto ao bairrismo, mas neste caso vale a comparação. Claro, não há um sentimento de ajuda entre os clubes do mesmo estado para “vencer” os de outro. Mas não há como negar, até mesmo percebendo falas de diretores e torcedores, que se percebe quando um centro supera outro. Este ano, pôde se notar, mais uma vez, que a organização de São Paulo e até certo ponto a união e cordialidade de parte das diretorias foi importante (não é fundamental, mas ajuda). E ainda, vale lembrar que o Paulistão, assim como o Carioca, também não é atrativo, mas premia bem, muito bem.

Para terminar, vejamos o saldo dos paulistas: Corinthians campeão da Série A, Palmeiras campeão da Copa do Brasil, São Paulo na Libertadores (4º colocado), Santos foi o melhor futebol do país por um período, finalista da Copa do Brasil, 7º no Brasileirão e a Ponte Preta em 11º. Na Série B, o único rebaixamento, do Mogi Mirim, que foi o lanterna. Oeste também lutou, mas não caiu e o Bragantino fez boa campanha e chegou a flertar com o acesso, terminou em sexto. Na Série C, Portuguesa, Guarani e Guaratinguetá não conseguiram o acesso, mas não caíram. E na Série D, o título ficou com o Botafogo-SP e o Red Bull, o outro representante, caiu na fase de grupos.

É… há o que se pensar com algumas constatações. Já passou da hora do Rio de Janeiro se desapegar das velhas coisas do futebol, olhar para frente e pensar no profissionalismo no esporte. Quem sabe assim, haja esperança para as terras fluminenses.

FOTO: Paulo Fernandes / Vasco.com.br